Considerações intermediárias sobre ser adulto

02/02/2017

Foto: fashionnoruless.files.wordpress.com
   “Hoje não é um dia bom, mas hoje preciso me levantar, vestir uma boa roupa e me preparar para fazer o dia todo o que eu menos queria fazer, falar com pessoas. Hoje ainda é quarta-feira, hoje tem expediente, hoje foi um péssimo dia pra tristeza bater ponto aqui dentro do peito.

   Em meio aos meus lençóis, me questiono a probabilidade de uma falta injustificada, afinal, o que eu diria ao meu chefe? “Senhor, me perdoe, mas hoje fui pega por um declínio emocional que me abate mais que gripe beirando pneumonia”. Não posso ficar mais um pouco – ou o dia todo – reunindo forças no único lugar que eu queria estar, afinal, não existe atestado de dor emocional que se possa apresentar no departamento pessoal.

   Eu levanto, estou atrasada meia-hora, visto a calça jeans de ontem e a primeira blusa decente que apareceu na frente e faltando três minutos pra sair de casa, ainda me questiono se eu simplesmente posso não ir. Não posso. Chego no trabalho tentando fantasiar meu rosto com um sorriso, para dar um bom dia decente às pessoas, porque desejo que o delas seja realmente melhor que o meu. Não consigo me distrair trabalhando, porque quando não estou bem, não consigo fazer direito nada que eu gosto.


   O que me resta é fingir que vivo este dia, até chegar o momento que eu mais espero. Hoje eu acordei com vontade de dormir, levantei com vontade de ficar e o meu dia todo vai se resumir na hora em eu puder vestir meu pijama novamente e voltar pro lugar de onde eu só queria ter saído quando a chuva já tivesse passado. Mas enquanto isso não acontece, teremos que manter a postura, todos nós.” 
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1 Comentários

1 comentários:

  1. O texto me pegou em um dia muito parecido, mas meu declínio emocional não foi tão pesado, afinal arranjei tempo de burlar o trabalho e ler posts hahah Hoje mesmo pensei "Que saudade de quando apenas estudava e podia faltar por qualquer coisa". Beijão

    Quero ser Miranda

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