E se eu acordasse com uma camisa tua?

04/08/2016



‘Que tal se um dia a gente saísse? Assim, em uma sexta-feira dessas? Você poderia ir me buscar no meu hotel e a gente sairia conversar em um lugar que eu tô afim de conhecer na sua cidade.’ 


“Foi surreal a maneira como nos conhecemos. Eu gostaria de ter ido à estreia do seu livro, mas deu tudo errado. Como de costume estava com ele bolsa. Vinha na rua pensando em como pude confundir as datas e chegar um dia depois. Eu poderia ter ido te conhecer e te falar o quanto admiro o teu trabalho e então finalmente conseguir uma dedicatória em meu nome escrita com a sua caligrafia.

Sentei-me em um café com mesas na rua, fiz o meu pedido, enviei algumas mensagens de texto frustradas e tornei a pensar no que eu faria o tempo que estivesse em Blumenau. Foi um repente lento e silencioso o momento em que eu te vi pela primeira vez. 


Foi por entre os movimentos do garçom me servindo o cappuccino com canela que eu te vi olhar em minha direção. Eu olhei também. Por alguns segundos eu pensei no que faria, então olhei de novo, da bolsa tirei o livro escrito por você e sorri da forma mais corajosa que a minha covardia me permitiu. Acenei pra você com o livro, você surpreso sorriu como quem me chama pra sentar. Eu fui, agindo como se soubesse o que estava fazendo. Pedi desculpas por incomodar o seu momento, me apresentei, disse de onde vim, contei a minha história para chegar até ali, conversamos por algum tempo sobre você, o seu trabalho, as coisas que eu fazia e sobre conclusões que tínhamos a respeito da vida, a famosa conversa de boteco. Eu saí de lá podendo sentir meus olhos brilharem, com a alma corando de alegria e com o livro autografado.  


Talvez você tenha ficado com pena da garota que viajou do norte do país só pra te encontrar, talvez você quisesse me recompensar de alguma forma ou talvez só tivesse realmente gostado da minha companhia. Combinamos de nos encontrar a noite, onde você me levaria em um bar que gosta de frequentar. Seríamos nós dois, alguma bebida e pessoas para conversar sobre. A sensação da tua presença era quase que a mesma que sinto ao ler um texto seu, poderia permanecer ali por horas a fio.


O bar estava prestes a fechar, mas a gente não estava disposto a se despedir ainda. Como criança que brinca fomos levando a conversa à diante, eu podia sentir o prazer só na conversa, mas a gente queria mais.


Fomos para sua casa, lá tinha uma garrafa de vinho e um sofá quentinho – proposta irrecusável do meu escritor favorito. O vinho era suave e doce e tinha um aroma tão envolvente quanto o clima que a luz baixa do seu abajur nos proporcionava. A gente não pensou muito, nem precisávamos, eu te conheço muito bem pra saber que você não desperdiça um bom momento e sei também o quanto me eu me entrego de volta.


Ali mesmo no sofá a gente começou e eu não ia ceder a nem um tipo de pudor, pois sou daquelas que você escreve sobre. A gente foi deixando um caminho de roupas pelo apartamento até chegar ao seu quarto, onde juntos iríamos escrever com nossos corpos um enredo novo para o seu próximo texto. Foi arte, foi romance e poesia, com aquele toque de safadeza que você escreve sempre e eu adoro.   


No outro dia de manhã acordei sozinha, havia pouca luz. Apanhei uma camisa sua que estava pendurada na cadeira perto da janela, vesti e te encontrei na cozinha decidindo se preparava o café ou se comprávamos, pois segundo você, não poderíamos nos atrasar para ir aos lugares que você gostaria de me mostrar.”
 
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