Lágrimas nos ombros

09/04/2015


“Lembro-me que naquela manhã o sol estava pálido, o dia gélido, aparentemente propício pro que estava prestes a acontecer.

Nada de nossos costumes foram feitos, eu não acordei você, não preparei seu café, não te amei. Não por não sentir o tal sentimento, mas por medo, por ansiedade, por tristeza, não era mais a mesma coisa, e você no fundo sabia disso.

Eu fiquei horas sentada naquele sofá e quando você finalmente apareceu pela porta, foi como se meu coração todo se comprimisse dentro de um pote. Você veio simples, suave, sonolento. Senti culpa, mas não poderia deixar pra depois. Não seria justo comigo e nem com você, um dia você entenderá o que eu estou falando. Até porque você mesmo disse que sempre tenho razão nas minhas atitudes, mesmo nas que ainda não fazem sentido.

Você se sentou do meu lado e nós ficamos olhando a frieza do dia pela janela, o sol escondido por entre as nuvens, onde não deixava transparecer o mínimo de raios. Então eu comecei a falar, com cuidado, catando palavras para que fosse claramente compreendida e minimamente rude. Romper nunca é bom. Você só ouvia, então fiz uma pausa e te ofereci uma oportunidade, você disse o que tinha pra falar, acredito eu. Uma pausa silenciosa. Um fim de amor.

Naquele momento, meu coração chorava junto a cada palavra que a minha boca soltava, ficou empate a dificuldade entre falar e ouvir uma verdade, não é mais fácil pra nenhuma das partes. Então o céu começou a chorar junto com nós dois, dificultando tudo, impedindo sua partida e me deixando desconfortável a cada minuto corrido daquela tarde estranha de oito de maio.


Quando finalmente chegou a sua hora, você veio se despedir, deu-me um abraço forte – senti muitas coisas naquele abraço, acho que consegui captar todas as mensagens que você depositou nele – um beijo singelo no pescoço, um outro abraço confirmando o que eu disse e afirmando o adeus. Então você se virou, caminhou e foi embora me deixando lágrimas nos ombros.”




Foto: Tumblr
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