Será que foi de verdade?

12/06/2019

   
foto: @nayandra.r

   Uma vez eu quase morri.

   Eu senti que nunca mais amaria alguém de verdade, nem uma paixão seria capaz de superar aquele sentimento que eu tinha. Era como se eu nunca mais pudesse ser capaz de ser feliz novamente. Nem sozinha, nem com ninguém. Esse era o meu pensamento, que a vida sem amor não era vida. Não poderia existir uma vida.

   Talvez eu estivesse enganada. Talvez toda bagagem recolhida por todos esses anos, baseada nesse sofrimento seja mentira. Talvez meu cérebro tenha se equivocado me fazendo acreditar que o grande e mais importante amor da nossa vida é um romance.

   Parando pra pensar agora, eu percebi que se tudo isso fosse desconstruído naquela época, sobraria para mim o que existe agora: eu.

   Eu é que sempre estive aqui. Fui eu que comecei o que ainda nem existia. Fui que eu sobrou quando terminou. Fui eu que segui em frente quando parecia que nada mais me restava. Fui eu que me reinventei e que criei uma vida toda nova para mim.

   Histórias de amor são tão bonitas, tão cheias de emoções e significados importantes que fazem nosso coração arder. Mas olhando agora, com a perspectiva de quem eu sou hoje, eu consigo sobreviver sem a existência de um amor romântico para dar sentido a minha vida, porque a vida exige de mim muito mais que isso.

   Não acho que eu tenha sofrido em vão. Toda perda tem seu peso e precisa do seu luto. Mas agora percebo que não havia chance nem uma de eu morar por uma vida inteira dentro de um relacionamento apenas. Apesar do tamanho, tenho um espírito que quase nem cabe nesse corpo pequeno. Acho que sempre vou ser inconstante demais para pairar em um lugar só em todas as fases que a vida tem para me propor.

   O amor da sua vida pode ser muitas coisas. Pode ser sua mãe, pode ser seu dog, pode ser seus avós, seu filme favorito, ou você. Você apenas. O grande amor da nossa vida é simples, é aquele onde você se conforta, onde você se sente vivo e cheio de possibilidades. Ele existe, mas nem sempre vai ser aquela pessoa.

   Queria que soubesses disso.

Ensaio de autoamor para suas relações

05/06/2019

foto: angel-1.tumblr.com

   Ao mesmo tempo que é bom o doce sabor do começo, ele pode acabar se tornando amargo, se não determinarmos nossa própria barreira. A maioria das pessoas têm receio com barreiras, mas a verdade é que elas nos protegem, protegem de coisas que nem sempre seriam boas pros nossos relacionamentos. Todo mundo é um pouco nocivo pra alguém de alguma forma em algum momento. Nossas barreiras pessoais evitam que as coisas fujam do nosso controle e não deixam passar aquilo que pode nos prejudicar, coisas que vem de dentro pra fora ou de fora pra dentro.

   Seja feliz ao lado das pessoas, mas não conte tudo que você sente, não conte tudo que você pensa, não conte o que planeja se você perceber que não é alguém que vai favorecer ou apreciar aquilo que você tem pra dar, existem coisas que não precisam passar do limite que é nosso coração - pro nosso próprio bem. Tem gente pra tudo, tem gente que vai te amar muito, gente que vai admirar tudo que você consegue ser e fazer e tem gente que não vai gostar de você pelo mesmo motivo. Infelizmente, nem sempre você vai saber quem é quem logo de cara, precisa-se de tempo.

   Portanto, descubra seus próprios limites pra que você possa se cuidar, ser saudável e ter relações saudáveis com as pessoas que você mais gosta, e quem sabe até com quem você achava que não, mas que, surpreendentemente, pode se dar muito bem. Existe um quarto só seu dentro de você e você sempre vai saber o que deve passar pela porta. Proteja seu império.

Assuma sua postura

03/06/2019

Foto: Evie Dee

   Eu não me lembro de alguma vez na minha vida ter sido uma pessoa segura sobre alguma coisa. Na verdade, eu sempre me considerei sortuda e muito abençoada. Sentia que alguma coisa ou alguém em algum lugar conspirava muito ao meu favor. Sentia gratidão por alguma coisa que eu nem sabia, mas talvez tenha sido essa gratidão que tenha me feito nunca deixar de acreditar que as coisas dariam certo. De um jeito ou de outro.

   Eu tinha meio que a síndrome do impostor, não me sentia muito boa o suficiente pras coisas, mas elas aconteciam e muitas vezes quando recebia algum elogio por alguma coisa que eu fazia bem, ao mesmo tempo que eu ficava contente, ficava triste, porque não me sentia dona daquele mérito.

   A minha insegurança encontrou muitos jeitos de me atrapalhar, cometi erros bobos por simplesmente ter medo de errar e não dar o melhor que podia em algo. Em diversos momentos conheci pessoas que reconheciam esse sentimento em mim e se aproveitavam disso, me deixando ainda mais insegura sobre mim mesma.

   Até que um dia eu me cansei dessa merda toda. Cansei de sentir que eu era sempre deixada para trás pelos outros e principalmente por mim mesma. Eu sabia onde queria chegar, eu só não sabia como faria para chegar ali, então do nada eu só decidi fingir que eu já estava.

   Com o tempo descobri que esse era um ótimo exercício mental. Eu passava horas e dias pensando nas minhas inseguranças e no quanto eu me sentia pouco pras coisas que eu queria, perdi tempo, pois a resposta mais difícil de ser encontrada, era então a mais óbvia. Depois que eu comecei a assumir a postura da pessoa que eu queria ser (mesmo sem achar que eu fosse), eu passei a viver isso todos os dias. Eu sei que essa conversa parece papo furado de coach e alguma coisa tipo O Segredo, ‘acredite até que se torne verdade’. Mas de alguma forma, acreditar e tentar praticar aos poucos fez com que eu me tornasse aquilo.

   Eu não queria mais ser a pessoa que sentia ânsia na hora de falar em público, que claramente demonstrava que as cordas vocais mais pareciam um novelo emaranhado. Não queria ser reconhecida como a pessoa que “tem potencial”, mas sim a pessoa que faz acontecer! Ao invés de fazer o que normalmente eu faria, passei a fazer o que aquela pessoa que eu idealizava faria.

   Foi essa decisão que eu tomei e fiz. Todos os dias, tudo que eu poderia fazer em nome dessa pessoa, eu fiz.

   Toda ação que fazemos soma energia no universo. Eu podia sentir essa energia e ela era verdadeira. Por que eu queria fazer isso? Eu sabia que alguma coisa importante estava para chegar e eu queria estar pronta. Eu alimentava dentro de mim coisas do passado que precisavam ser jogadas fora e sabia que para coisas novas poderem chegar, eu precisava de espaço. Eu cortei o cordão umbilical com a garota adolescente que vivia dentro de mim, guardei ela com carinho no passado. Deixei tudo limpo pra mulher que eu sabia que ia chegar pra ficar. E ela chegou.

A grande verdade sobre ser adulta

29/05/2019

Foto: Pinterest


  Não existe uma linha do tempo exata pra você se tornar adulto, nem uma idade ideal, apenas existe a sua idade. O que eu posso te adiantar é: guarde suas lembranças, mas desapegue de tudo que você viveu até agora. O caminho é longo, intenso e tem bagagens que são pesadas demais pra carregar nessa viagem.

   A primeira grande coisa que eu gostaria que alguém tivesse me dito, é que pra você dar um verdadeiro rumo à sua vida, você tem que pensar primeiro em você. Mas claro que eu fiz o contrário. Sempre tive muito medo de perder minhas pessoas, queria crescer sem precisar me afastar, mas o afastamento é inevitável. Quando chega a vez de cada pessoa crescer, de pouco em pouco elas vão se afastando, porque a vida exige isso delas, escolhas. Minha mãe sempre me falou que para conquistarmos algo, precisamos deixar outro pra trás e isso nunca se tornou tão sério.

   Em um momento você tá ali, com todos os seus amigos do colégio, rodeados de oportunidades e momentos que virarão boas histórias. Em outro, aquele tempo se tornou lembrança, os encontros se tornam menos frequentes, vem a mudança de cidade, nova rotina, novas pessoas… cada um deles segue seu próprio fluxo, porque é necessário. Tudo muda e às vezes fica confuso, mas ainda é a sua vida ali, só que de uma forma diferente. Aos poucos você vai se acostumando, vai aceitando e descobrindo a graça que a sua vida pode se tornar se você se propor.

   Crescer pode ser meio solitário sim, você vê a vida das pessoas acontecendo, enquanto você tem a impressão que está ali parada. Casamentos, formaturas, filhos, viagens, empresas, concursos públicos e até o desemprego. A vida adolescente antes simples, dramática e empolgante se vai, dando espaço para coisas bem mais sérias, não tão divertidas, mas na sua maioria mais significativas.

   Essa transição da adolescência pra vida adulta é complicada, as pessoas acham que acontece aos dezoito, mas a coisa tá longe de ser assim. Tem gente que é mais tardio, tem gente que é mais precoce. Eu me considero meio tardia perto de outras pessoas da minha faixa etária, tem pessoas que são muito mais maduras do que eu e tem pessoas que estão ali no limbo tentando se descobrir, foi o que aconteceu comigo. Em um certo momento, me senti completamente perdida sobre o que a minha vida estava se tornando, não havia ninguém ali, só eu, minhas malas, meus sonhos e Deus. Eu fiquei um bom tempo parada nessa inércia, de todas as crises existenciais que já tive, essa foi de longe a maior de todas elas. Acho que pessoas como eu tendem a ter um pouco mais de dificuldade de se incluir nessa ordem cronológica. Até que em algum momento a crise te mata no cansaço, você só quer acertar tudo, desiste de se questionar porque a coisa não acontece como você achava que seria e passa a observar o que é a sua vida agora e quais caminhos te levam pra um cotidiano mais feliz.

   A grande verdade é que cada pessoa tem seu tempo e uma hora o tempo dela tem que chegar. Seu coração vai te dizer quando chegou a sua vez. Quando você se desprendeu do cordão umbilical da sua zona de conforto e quando está pronto o suficiente pra encarar o mundo lá fora com propriedade e com tudo de si.

   Não existe um manual da vida adulta e a transição para ela sempre é difícil, mas é aí que a vida vai te mostrar seus pontos fortes, fracos e quais você pode melhorar. É aí que você testa todos os seus limites e os supera. Você deixa de sofrer por coisa pouca, filtra o que é relevante, toma liberdade pra tomar suas próprias decisões e tem peito suficiente pra lidar com as consequências delas. Você deixa de se exigir coisas, para prestar mais atenção no que você realmente é capaz de fazer sem o peso das expectativas. Você percebe que tem problemas como qualquer outra pessoa, mas não todos os problemas do mundo e eles acabam se tornando do tamanho que eles são –menores do que vocêAprende a reconhecer quem é de verdade e o que é de verdade na sua vida. Estamos longe de sermos perfeitos, mas muitas coisas acabam se acertando e se arrumando no lugar que deveriam ocupar, tornando a vida mais confortável. Na vida adulta você aprende o que é melhor pra você e tem mais propriedade sobre isso que qualquer outra pessoa. Você descobre novos gostos, novos hábitos, se descobre um novo ser humano e isso é incrível!